Redes sociais e sistemas ecológicos.

povo na ruaOs protestos que mobilizaram quase dois milhões de pessoas no Brasil durante esta semana tem uma profunda relação com os diferentes protestos que tem surgido em diversas cidades do mundo nos últimos anos. Todos são fruto de um mesmo processo histórico que a humanidade vive, como um todo, a muitos e muitos séculos.

No Brasil este longo processo histórico, que começou no império português e avançou pela república logo após a conquista da abolição da escravatura, culminou na ascensão do partido dos trabalhadores (PT) ao cargo máximo de governança de uma nação. A eleição do presidente Luís Inácio Lula da Silva significou, depois de séculos de opressão e desigualdade social, a chegada triunfal de um representante popular ao poder.

No entanto, Lula não conseguiu reverter em seus oito anos de governo desigualdades sociais que já se encontravam incrustadas na estrutura social brasileira. A esperança do povo de que a nova presidenta Dilma Rousseff, pertencente ao mesmo partido dos trabalhadores, pudesse concretizar essa reforma política, social e econômica, que tanto anseia o povo brasileiro, foi posta abaixo paulatinamente. 

o povo dança felizA impossibilidade do verdadeiro envolvimento popular nas estruturas governamentais se deve a inúmeros fatos:

.Uma estrutura político-social coronelista, corrupta e arcaica, que se espalha pelo interior de todo esse país. 

.Um governo federal ainda dominado pelos velhos bastiões defensores das elites empresariais, que insistem em continuar a vender o país, a preço de banana, para o capital internacional. 

E o principal deles, à meu ver:

.Controle dos meios de produção de bens e serviços pelas elites econômicas e políticas em todo o Brasil.

O controle dos meios de produção de bens e serviços é fundamental para a organização social humana. O socialismo prega o controle dos meios de produção pelo Estado, nacionalizando os lucros e dividindo as riquezas igualmente a toda população. O capitalismo neo-liberal prega a privatização das meios de produção, deixando que haja uma auto-regulação da economia sem controle direto do Estado sobre o mercado. Enquanto as camadas mais desfavorecidas da população estiverem distantes dos meios de produção, continuarão a ser explorados pelo poder dos executivos e empresários de alto escalão. 

eccovilaDo ponto de vista permacultural o controle dos meios de produção é exercido naturalmente pelos membros de uma comunidade. Fontes energéticas, materiais de construção, alimentos… são todos produzidos em escala local, extraídos da natureza causando o menor impacto ambiental possível. As decisões, tomadas por consensos coletivos, são baseadas em análises ambientais e pautadas no que for melhor para todos os membros da comunidade.

A articulação entre diferentes comunidades sustentáveis é tão natural quanto a associação entre as diferentes espécies de animais e plantas num habitat. Juntos, formam uma rede de produção infindável de recursos sem pôr em risco a abundância da geração vindoura. Criam, nas suas relações endêmicas, formas de subsistência que necessitem do mínimo de intervenção externa para sua sobrevivência. Possuem apenas o que precisam possuir.

A sociedade complexa precisa se inspirar em modelos de comunidades sustentáveis e auto-suficientes para criação de novos modelos políticos e sócio-econômicos. 

ecovilaA população precisa dominar os meios de produção através de organizações sociais comunitárias e cooperativas, desprendendo-se das teias usurpadoras de empresários multinacionais. Construir uma revolução silenciosa e bem sedimentada na igualdade social. Expandir estratégias de acesso à terra e aos meios de produção criando e espalhando cada vez mais comunidades sustentáveis e auto-suficientes. 

Precisamos criar uma rede de sustentabilidade real que possa se tornar independente financeiramente das grandes redes produtoras globais. Assim, poderemos buscar nossa auto-representatividade sócio-política, criando um sistema totalmente independente social, política e econômicamente desse que governa o país.

Uma rede social de comunidades sustentáveis, que se organize da esfera local para a global (de baixo para cima) onde as decisões da macro-política poderão ser tomadas a partir das centenas de deliberações de conselhos locais e auto-representativos política e econômicamente.

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