2013 se encerra com muitas lutas e poucas conquistas.

COP 19

A 19a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, realizada em Varsóvia, encerrou-se no dia 23 de novembro, finalizando um ano de grande transformação social, política e econômica em todo planeta.

Infelizmente, o resultado da reunião, ainda que esperado, foi decepcionante. Por conta disso, redes e grupos de ativistas ambientais acabaram deixando a reunião mais cedo, desapontados com o caminhar da discussão.

O grande entrave continua sendo a falta de atitude dos governantes em assumir o compromisso de diminuir as emissões dos gases causadores do efeito estufa. Tarefa esta que requer substituir o uso de combustíveis fósseis por fontes alternativas e renováveis de energia, entre outras medidas ambientais com menor impacto.

Existe uma grande discussão sobre os níveis de emissões que devem ser permitidos a cada país, sendo levado em conta o histórico de cada um e a quantidade atual de gases despejados na atmosfera. Países ricos não concordam que as nações em desenvolvimento continuem este modelo de produção insustentável, perpetrado pela revolução industrial, enquanto eles estão sendo obrigados a fazer uma transição para uma nova tecnologia ecológica. 

E assim as decisões são novamente adiadas, até a conferência de Paris, a acontecer em abril de 2015, quando as nações devem apresentar a sua contribuição para a redução das emissões de gases poluentes, que somente deve entrar em vigor a partir de 2020.

No Brasil, o desmatamento.

corte de árvores na amazônia

No Brasil, apesar das grandes manifestações populares terem tomado as ruas, nenhuma transformação significativa aconteceu no cenário sócio-ambiental. 

A taxa de desmatamento na Amazônia teve um aumento de 28% este ano, voltando a crescer depois de 4 anos. Infelizmente este fato se deve não só a falta de estrutura dos órgãos públicos de fiscalização, como também ao desmembramento das funções destes órgãos gestores, que ficam imóveis perante os governos estaduais. Os estados do Pará, Mato Grosso e Roraima lideram o ranking dos estados que mais sofreram com o desmatamento. Os dados são do Prodes (Projeto de Monitoramento da Floresta Amazônica por Satélites) e do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), registrados entre agosto de 2012 e julho de 2013 em relação ao período anterior.

Esse aumento no desmatamento na Amazônia pode comprometer o baixo índice de emissão de carbono do país, já que, devido a seca, o Brasil foi obrigado a ligar algumas de suas usinas termelétricas durante este ano.

Fukushima e a vida marinha.

fukushima

Um dos acontecimentos, no entanto, que mais contribuiu para a ameaça de uma catástrofe global, foi o vazamento de água radioativa que aconteceu em um dos tanques subterrâneos da usina de Fukushima, no Japão, em abril. Em julho, apenas 3 meses depois, foi detectado que o nível de césio radiativo tinha aumentado cerca de 90 vezes em um dos poços e que esta água contaminada poderia se espalhar pelo Oceano Pacífico. Em agosto, o governo do Japão confirmou que existiam vários vazamentos e que o Pacífico já estaria sendo contaminado a pelo menos dois anos, desde o acidente na usina em 2011. Essa descoberta gerou um alerta que se espalhou até os Estados Unidos e outros países das Américas Central e do Sul, onde o material radiativo poderia chegar em apenas algumas semanas. Isso fez com que o acidente de Fukushima fosse considerado mais agressivo e perigoso do que o acontecido em Chernobyl em 1986.

O relatório do IPCC.

derretimento do ártico

O relatório do IPCC, publicado em setembro na Suécia, prometia ‘esquentar o clima’ da COP-19, que aconteceria em Novembro. O relatório, tido como um dos maiores e mais importantes estudos já feitos sobre as mudanças climáticas, contou com a participação de cientistas e representantes dos governos de 195 países. A previsão do IPCC é de que o aquecimento global atinja no mínimo 2ºC até o ano 2100 (as chances de isso acontecer são de 66%) e que o mar suba até 82 cm (no pior dos cenários), elevando o derretimento do polo ártico a até 94% no verão. 

Além disso, os cientistas afirmaram ter 95% de certeza que o ser humano é o principal responsável pelas mudanças no clima do planeta.

Finalmente…

Todos esses acontecimentos criaram a expectativa de que a COP-19 poderia ser diferente e poderia criar novos rumos para uma possível economia sustentável, a ser implantada globalmente. Porém, os governantes ainda se mostram muito dependentes da indústria do petróleo e da agricultura de patentes, restringindo suas ações a meros relatórios e planejamentos, que muitas vezes não são sequer executados.

planetaterra

O ano de 2014 se inicia com um enorme desafio pela frente: a condição humana se torna cada vez mais dramática e sua existência se tornou um risco para a saúde da Terra. Serão os seres humanos capazes de reverter esse triste quadro de caos ambiental? Ou estaria a vida humana caminhando para uma possível catástrofe apocalíptica?

Muitos acreditam que o colapso da humanidade já se tornou inevitável e que a vida humana em condições saudáveis não se estenderá por mais cem anos neste planeta.

E você, ainda acredita que os seres humanos podem inverter esta balança e criar uma verdadeira tecnologia ecológica?

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