O Moinho de farinha do seu Alcides.

seu Alcides

Seu Alcides é um dos guardiões do saber tradicional da roça.

Já faz tempo que o moinho de farinha de mandioca do seu Alcides começou a produzir suas primeiras sacas.

Na sua infância, Alcides já havia aprendido o valor de uma boa farinha com seu pai.

Hoje, nos fundos da sua casa, à beira da mata da Serra Grande, ele dá continuidade a uma tradição que atravessa os séculos. 

Em uma área relativamente pequena, cerca de 500m2, planta a mandioca que utiliza em seu moinho. 

Na ceifadora, o aipim descascado é moído. Utilizando um pequeno motor seu Alcides alia a tecnologia ao conhecimento tradicional.

Na cevadora, o aipim descascado é moído. Utilizando um pequeno motor seu Alcides alia a tecnologia ao conhecimento tradicional.

Em uma pequena casa, com aproximadamente 12m2, estão os seus instrumentos para descascar, cevar (moer), secar, torrar e armazenar a farinha de mandioca. Em um dia bão, seu Alcides diz que chega a produzir até 100kg de farinha.

Morando em um local isolado, de pouquíssimas oportunidades de trabalho, a produção de farinha se torna uma das poucas possibilidades de uma fonte de renda segura e consistente. 

Empreendimentos como esse se tornam um mecanismo eficiente para estimular a permanência do homem no campo, evitando assim a migração e consequentemente o inchaço das grandes cidades. 

Mais do que isso, é uma herança cultural ancestral. Seus costumes, suas histórias, dão identidade a seus personagens. Seus sabores, da infância à melhor idade, são docemente relembrados nas festas, nos pratos típicos, dia a dia em nossas refeições.

Na prensa, a mandioca moída permanece por algumas horas, até escorrer toda a água.

Na prensa, a mandioca moída permanece por algumas horas, até escorrer toda a água.

É mesmo uma pena que poucas pessoas dêem continuidade às velhas tradições atualmente. Não são muitos os jovens que lhe procuram para aprender como se faz uma boa farinha.

Sozinho, Alcides não tem mais forças para mover o moinho horas a fio. Assim, ele conta com a ajuda de dois motores (instalados um na cevadora e outro na caldeira) que o auxiliam. Seu Alcides, dessa maneira, concilia inovação tecnológica com a cultura tradicional, mantendo viva a verdadeira cultura da roça.

Um belo exemplo de como podemos criar empreendimentos sustentáveis, econômica e ecologicamente, fortalecendo a agricultura familiar tradicional e conservando a cultura ancestral da roça.

Depois de secar a mandioca na prensa, ela é torrada nesse tacho, aquecido à lenha, durante a tarde inteira.

Depois de secar, a mandioca é torrada nesse tacho, aquecido à lenha durante a tarde inteira.

Seu Alcides mora em Aldeia Velha, pequeno vilarejo no interior do Rio de Janeiro e vende o quilo da farinha de mandioca por R$6,00. Em sua casa ele mostra um pouco do seu engenho e explica como faz para produzir essa saborosa riqueza da roça.

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